I - O teu canto
É encanto que encanta cada canto.
Todo cantar quer mais canto em cada
e cada canto que não é teu
Quer seguir somente o teu
E Fazer parte do teu encantado
canto que não acaba
II - O teu toque
comove, em teu violão
entreter tantos, tetos
e tantos sábios e tontos.
Entretanto, entre tantos,
na teia da aldeia de encantos
és um tanto de poucos com muito
e muitos com pouco de mitos e santos
loucos poetas
III - Dando asa a canção
rara rosa, rasa e roseira na cerne
lançada laçada enseada
no corpo e na alma da arte.
Reza a razão de cada sorriso
e olhar fulgurante, à quem atenta
a tua arte de vôo livre de ave rasante
seduz revelar-te antes
da luz que conduz relevante
à emoção de beleza estonteante
bacantes de acordes e notas
que noto notórios tons dissonantes
De hoje e de ontem e antes de ontem
Reverberante em harmonia cintilante
resumes o que é só teu
mesmo perto ou distante
de ser em se do ser em te
do ser em nós de ser à teu
IV - A tua sina
Artesã da arte visão etérica não vã
Arte nouveau sem afã
de se ver e se ouvir
Renovoando a matéria,
platéia etérea artéria cristalina
da matéria arte feminina
cora clara Clarice coralina
O teu canto teu toque
teus sons semitons
semibreve semínima
teu tom teu dom tua sina
de ser artesã da arte
desde de menina
é teu talismã e teu baluarte
Rara rosa sarau serafim serafina
tens o Oásis da arte
que vejo em te feminina
( A. M. )